Tuesday, July 3, 2018



Em declarar-te Amor,
em lhe jurar destino;
em entoar teu nome em cada hino
em desejar o alvorecer
e em palidez da Lua
clamar ouvir tua voz,
a voz que tua...

Em rabiscar os livros
com teu nome
isto me encanta:
que alguma traça ou fada
venha e diga
e surja voz tamanha!
Que ela também te gosta,
a Mariana...


Já que a mansão das horas corre solta
e dá abrigo uma vez ou outra...

Já que o silêncio é a gente por demais
e o bem ou mal, contudo, que isso faz

Já que a verdade é coisa que não sabe
ser clara como a rosa branca, e suave...

Já que o esquecimento vem por dentro
e faz chover, curar, chorar e penso:

Diante ao firmamento suspendido
Diante aos teus olhares, e isto basta:

Já que a eternidade não nos dada
fulgura pelo céu e tanto encanta;
Teu nome neste canto sem matéria
há de fazer-te eterna, Mariana.

Monday, June 25, 2018

Noite efêmera





Será (tambem) de um outro tempo o testemunho
Do amor que é cada
 meu instante
Junto a ti

Quando desencavarem de um
Eterno outrora
A xícara de porcelana e
Declararem:
Eis que já bebiam lá café

Não saberão da graça desta noite,
Ó cara mia,
Nem do teu vestido
Nem da lua aguada
E toda nossa fé.

Monday, June 18, 2018



Sabe a noção de sublimar?
eu olho a noite fria e um mar imenso
de refletir estrelas - perenemente a séculos
a refletir estrelas
e a tua mão um acalento mesmo humano, sacro
e a tua voz... espécie de bálsamo.
esta noção de sublimar...
lancemos qualquer coisa à água à noite
dois barquinhos de papel
esta noção de sublimar...


Nos barquinhos de papel
e nas asas dos passarinhos
cruzaremos rios, mares
e os vendavais dos caminhos


Deste-me o tempo,
mas sem ti ele não corre;
como pérola ante à Lua
aspira a eternidade
expira e morre...

A ponte


Veio o homem até a ponte. Olhou ao redor: nada viu. Trouxe o buquê de rosas púrpuras até o esteio e apronta-se a lançá-las, finas pétalas em turva água, mas um frio lhe perpassa a mão... ou antes, o braço na parte superior, em que encontra a mão.

Não é que não tivesse nunca sentido um toque frio em outra vez antes, fosse do vento, fosse de pessoa; Mas é que alguma coisa de suavidade estranha, uma calma lentidão a lhe encher de frio que parecia bem intencionada, o espantou.

A moça talvez só quisesse saber das horas ou nem isto. Era um horizonte imenso: um refletir de água e as luzes da cidade divididas entre as duas margens do rio... estrelas em aglomerado, indecifráveis. E a mancha da Lua na água; saber por que notara aquele homem ali, ainda estando escura a ponte e eles sós?

Chamemo-nos de dois, ambos os dois, um par; posto que o toque de mãos é sem dúvida o que mais caracteriza a união entre entes humanos, e, ainda que com justiça poderia-se argumentar que o ato foi unilateral da parte dela, contudo, num exame mais neutro compreendemos que sua imediata receptividade, o sentimento mesmo de um frisson de mistério já mais do que justificaria a descrição; ora, passados anos e vivessem estes dois em frio apartamento entre afazeres pouco descritíveis numa história, quê em menos estaria este encontro de mãos em íntima cumplicidade do que muitos outros?
Mas trata-se de dois estranhos! Sem dúvida, mas deve-se contudo admitir que os instantes futuros, se não ditados por sombra desvelada, são ao menos parcialmente cúmplices ou harmônicos, na indecisão do instante agora há ao menos algo que seja resultado do passado; assim, caso estes dois seres soltos na bruma de uma ponte notoriamente malcuidada pela sociedade humana por ventura mantiverem qualquer inicial contato (e o prosseguimento do texto intenta dar conta disto mostrar), não se tratam de certo, já na descrita cena, de dois completos estranhos; não.

São como um casal realmente, e o instante deste toque pode sublimar como um casamento; vindo místico, como que de um breu de lapsos distintos de vida mal encontrada, ou antes, aos poucos se remendando e concertando para aquele instante: do toque de mãos, do encontro d'almas. Houvesse um anjo com uma harpa a flutuar com lira naquele instante, de certo entoaria, com um dos pés de anjo por vezes a encostar na gélida e ainda chuvosa alpendrada da ponte:

Dois, que fizeram seus caminhos
entre os breus deste universo
dois, na vida encontraram dobra,
abrigo, regresso

dois que doravante serão um
foi-se o tempo doisdivano
de perambular em vão
eis que formam um então.

Ora, e quem disse que não havia? Se há mesmo nas encostas rurais das grandes cidades grutas entrelaçadas e profundas que são tocas de milmilhares de morcegos que em seu redemoinhoso calcar os céus nas madrugadas perexistem em número maior que o de almas humanas - e vê-se, que fala-se aqui de grandes metrópoles - quem dirá não existir também mui numerosos anjos a galgar o ar a cada instante? Com sua presença tênue e efêmera sorvendo a graça dos lugares e instantes que aos seres terrenos soem por vezes parecer de asco ou tédio? Fato é que talvez houvesse mesmo um anjo naquele instante - se há instantes de anjo - posto que