Monday, June 4, 2018



Assim, possuído pela vã glória e desejoso de legar qualquer coisa à posteridade, quis lucrar, também eu, da liberdade de fingir, e, uma vez que não tinha nada de verdadeiro a contar, não tendo nunca vivido uma aventura digna de interesse, revesti-me da mentira; mas minha maneira de mentir é muito mais honesta que a de outros; pois que há ao menos um ponto em que serei verídico, que é em avisar que sou um mentiroso. Penso assim escapar à censura do mundo confessando-me pessoalmente que não digo nada de verdadeiro. Vou então contar coisas que nunca vi, nem experimentei, nem escutei da boca de ninguém, coisas que não existem de maneira alguma e que não podem absolutamente existir. Por conseguinte, meus leitores não devem dar-me nenhuma fé.


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